
...Os Norte-americanos dizem que o Irã é o inimigo, o eixo do mal etc, e na política externa e militar dos gringos (leia-se a mesma coisa) agem como se estivessem eternamente caçando um animal bravio e perigoso. Pelo menos é o que demonstram e fazem propaganda intensa. O querem como o Afeghanistão, de joelhos, de cabeça baixa. Depois que acabaram com Saddam Hussein (de quem foram aliados por muito tempo contra o Irã) voltaram-se para o Irã (de quem foram aliados por muito tempo na era Rehza Pahlevi contra Saddam Hussein.) E nós, meros leitores, terceiro mundistas, somos meros idiotas.
Além de serem os países mais ricos em petróleo do mundo - a região toda tem cultura milenar, e o Irã, antiga Pérsia, é um dos berços da antiga civilização mesopotâmica, de onde se originaram para além das Mil e uma Noites eternas, muito do que se tem e se sabe da segunda maior religião monoteísta do mundo - O Islamismo, que, sabe-se também, se misturou inteligentemente, ou surgiu com raízes e traços do Zoroastrismo e do Cristianismo judaico (que é o Judaísmo renovado, dizem), ou seja, estas também tão ou mais antigas e monoteístas como o próprio Judaísmo, e tanto quanto o (pan)paganismo grego na luta pela dominação do Oriente Médio, isso antes de serem quase todas dominadas, de certa forma, pelo Cristiansimo sincrético romano - muito sangue e muita poeira rolou - mas aquela região não foi dominada pelo Império de Roma, embora vivesem muitos conflitos com gregos. Quem faz um retrato delicioso da época e promove frescor em sua leitura é aquele jornalista norte-americano Gore Vidal no seu livro delicioso Criações.
Na verdade, um pouco mais de ranço e/ou raciocínio lógicos (se é que lógica cabe aqui) pode nos levar a imaginar que esperteza mesmo foi a utilizada pelo sacerdote egípcio Moisés autor de um catadinho bem amarrado de todos aqueles conhecimentos e usou de sabedoria para lançar a 'sua' religião com o apoio estratégico das várias tribos nômades da região (diga-se, de passagem, tribos nômades que vagavam pelo deserto provocando intrigas deliberadas com os povos fixos). O Egito caiu assim e por outras razões históricas conhecidas e desconhecidas.
Duas lebres com uma só cajadada, mas só depois de muito esforço. Foram quarenta anos vagando pelo deserto (podem ter sido 400 anos, ou mais de 4 mil) - até apaziguar aquelas tribos belicistas que saqueavam as caravanas e isulflavam contendas nas rotas comerciais, e ao mesmo tempo criar um mecanismo catalizador em torno de ideias e ideais comuns, um mesmo deus, uma mesmo código, leis, arcas e alianças etc. Conseguiu - o cara era bom mesmo.
Mas não é necessário ser inteligente para entender o porquê da luta esganiçada de grandes setores milionários norte-americanos e europeus atuais contra o Islã e contra o Irã, ou do porquê de Israel viver ameaçando e dizendo que o diabo mora lá e se esconde em uma daquelas mesquitas com uma bomba atômica embaixo do braço, pronto a atacar etc. Eles se odeiam, claro, mas depois de assitir vários filmes sobre o Irã, de ler muito sobre o país, as suas imensas riquezas e tesouros culturais e naturais, sua tradição espiritual, a força e a beleza de seu povo e de suas terras, é que percebemos qual o verdadeiro interesse (nefasto) por aquelas terras.
Lógico que cinema é indústria cultural, é ideológico, cultura é ideologia, e sabemos o quanto é duro definir-se entre duas mentiras!Ou duas verdades!? O que já fizeram de propaganda nazista e de anti-nazista, judia e anti-judaica, branca contra negra, contra índio, orientais e ocidentais - depois do muro de Berlin, do Pacto de Varsóvia, da Cortina de Ferro, da necessidade da OTAN, Kossovo, Chechênia, (e até aqui quais os elementos em comum?), contra a URSS, contra a China, contra a Coréia do Norte, Vietnã, contra Cuba, Angola, Pretória, Venzuela etc...tudo nos leva a crer que a guerra fria permance aquecida só que com nomes trocados - guerrilha de informações, globalização econômica, mercado global...
E, contrariamente aos USA e Tio Sam, cowbois fascistas e neofobos fervorosos, nosso presidente Lula (que as elites brancas detestavam, mas estão aprendendo a gostar - ele consegue oposição na direita e na esquerda - mas tem o povo ao seu lado) polidamente convidou e abraçou aquela gente e fará, seguramente, bons acordos comerciais, culturais, de multi interesses. No intestino destes fatos a informação crua: peitamos os USA e sua política externa, em seu momento de fraqueza econômica mundial e decadência moral (embora com enorme capacidade de reação) deixamos de lado os frutos podres e abundantes da era Bush e passamos uma informação ao mundo - uma forma de inteligência, uma maneira de relacionamento, uma estratégia de aproximação nova está em curso. Há um novo eixo se formando e dizendo não à dependência do formato norte-americano e fugindo à sua esfera de influência - Brasil, França, Índia, Irã, África do Sul tornam-se importantes players do cenário mundial - com tecnologia e recursos naturais. Curiosamente, a China e a Rússia são incógnitas, mas podem perfeitamente bem debandarem-se para os lados de Tio Sam.
Bom que sejam Brasil e França, mais diplomacia e menos pancadaria, mas com reservas e garantias. Afinal o mundo está dando voltas, são só negócios e os mais novos (que são os mais antigos!) desejam e vão, é natural, substituindo os mais velhos - importa saber respeitar-lhes os lugares enquanto existirem, uns e outros. É um movimento circular e segue um sentido e direção pré-determinados na escala cósmica sobre um eixo com 28º de inclinação - quase vertical, o que dificulta o exame racional de um Norte, dizem os entendidos.. Este é o 'plano' terreal, poeticamente.
Seria mesmo interessante de ver e daí saltar suavemente - pas de chat - à percepção de que inimigos são conveniências, assim como amigos, em se tratando de política internacional (dependente absoluta de economia e recursos exploráveis). A peça humana bufa cada vez mais perde suas cores sanguinolentas e aquela prosódia ideologizada que alimentava a gana humana, pelo catastrofismo enganoso da propaganda, religiosa, belicista, dominadora e nazifascista deverá ser redesenhada - hora de colocar vespas assanhadas e escorpiões nefastos em seus respectivos lugares - talvez devamos mesmo ver o fim do mundo e sonhar com mil anos de paz, progresso e harmonia entre as nações. Talvez! Se Lula tiver de ser um dos maestros desta concerto que seja. Só precisa saber e lembra-se de que alguns desafinados estão ainda de socapa na orquestra e que alguns podem, sorrateiramente, roer as cordas dos violinos e furar os tambores.
Rola a bola suspensa no ar e toda a superfície com sua poeira procura assento.















